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Papa Francisco aprova milagre de Madre Clélia Merloni, a apóstola do amor
30/01/2018
O milagre é brasileiro, de Ribeirão Preto, e fará Beata em 2018 aquela que teve como missão de vida tornar conhecido e amado o Sagrado Coração de Jesus O Papa Francisco assinou, no último dia 27, a aprovação do milagre de Madre Clélia Merloni, fundadora do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração (IASCJ).
O milagre feito por intercessão de Madre Clélia ao médico Dr. Pedro Ângelo de Oliveira Filho é brasileiro, de Ribeirão Preto. A assinatura pelo Papa se deu após longo período de investigação da Congregação para as Causas dos Santos e pela junta médica de especialistas, Bispos e Cardeais. O próximo passo é o anúncio público, em cerimônia na Basílica de São João de Latrão (Roma-Itália) a ser agendada ainda para 2018, quando Madre Clélia receberá o título de Beata. Depois desta fase vem a canonização, ou seja, havendo a comprovação de mais um milagre Madre Clélia poderá ser declarada santa e entrará para o rol das santidades da Igreja Católica.
Esta fase do processo de beatificação de Madre Clélia é esperada pelas irmãs apóstolas, seus admiradores e fiéis. Hoje, Madre Clélia é um exemplo de amor pelo mundo através das obras mantidas pelo IASCJ, presentes em 15 países, nos continentes europeu, americano, asiático e africano, com atuação nas áreas da educação, saúde, missões e promoção humana e espiritual.
Sobre a Beatificação
Em 1988 abriu-se a causa de beatificação de Madre Clélia Merloni. Em dezembro de 2016, o Santo Padre, Papa Francisco, assinou o Decreto de Venerabilidade. Na sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos da Congregação para as causas dos Santos, ocorrida em 9 de janeiro de 2018, o milagre atribuído à intercessão de Madre Clélia foi reconhecido com voto positivo e unânime. O Papa Francisco aprovou e promulgou o milagre em 27/01/2018. Com este ato foi aberto o caminho para a Beatificação da Madre. O último passo, por parte do Santo Padre, é o estabelecimento da data para a Celebração.
Sobre o Milagre
O milagre que passou por minuciosa análise é brasileiro e teve início em 14 de março de 1951. A história do milagre começa quando o médico brasileiro Dr. Pedro Ângelo de
Oliveira Filho foi, repentinamente, atingido por uma progressiva paralisia dos
quatro membros e foi hospitalizado, com urgência, no Hospital Santa Casa de
Misericórdia de Ribeirão Preto. O diagnóstico foi de paralisia ascendente
progressiva, chamada síndrome de Landry ou GuillainBarré. Em dias, a paralisia
piorou para insuficiência respiratória aguda e atingindo a glote, causando grande
dificuldade em engolir. O prognóstico era ruim, dada a gravidade da doença e os
remédios da época insuficientes para a cura. Tanto que os médicos suspenderam
os tratamentos e, em 20 de março, informaram a família que seria a última noite
do paciente.
Dada a situação, Angelina Oliva, esposa, se encontrou com a Irmã Adelina Alves
Barbosa para pedir orações. A religiosa deu-lhe uma novena de Madre Clélia, com
uma foto contendo um pedaço do tecido do véu que ela usava. Irmã Adelina,
juntamente com Angelina, seus filhos e outros parentes começaram a rezar. Irmã
Adelina aproximou-se do paciente e deu-lhe água, onde colocou a pequena
relíquia. O paciente estava muito doente, mas conseguiu engolir um pouco
daquela água. Depois de alguns minutos perceberam que ele conseguia engolir e
não perdia mais a saliva. Irmã Adelina tentou dar-lhe uma colher de água e ele
bebeu, depois colocou dois dedos de água num copo e fez com que ele bebesse.
Por último, colocou leite no copo e ele bebeu sem problemas. Todos ficaram
maravilhados com a rápida melhora, tanto que a religiosa foi à cozinha para
preparar um creme e Pedro Ângelo engoliu com facilidade.
O médico chegou de manhã e, ao ver o paciente curado, exclamou que era um
milagre. A melhora foi progressiva e, dentro de 20 dias, Pedro Ângelo caminhava
normalmente. No dia 6 de maio, recebeu alta do hospital porque a cura foi
completa, permanente e sem sinais dos sintomas.
Pedro Ângelo morreu em 25 de setembro de 1976 devido a uma parada cardíaca,
portanto, por uma causa completamente diferente de sua doença anterior e após
vinte e cinco anos da sua recuperação milagrosa.
Madre Clélia Merloni
Clélia Cleópatra Merloni nasceu em Forli, na Itália, em 10 de março de 1861. À
medida que ia crescendo sentia-se sempre mais atraída para a oração e à
intimidade com Deus do que para a vida social da elite ou para administrar os
negócios da família conforme seu pai teria desejado. Clélia compreendeu desde
cedo que seguir os passos de seu pai na condução do patrimônio familiar não era
o que seu coração desejava. Mulher inteligente, dotada de muitas qualidades,
respondeu com generosidade ao chamado de Deus, escolhendo consagrar-se
totalmente a Deus na vida consagrada.
Em 30 de maio de 1894, fundou o Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de
Jesus, colocando a serviço dos mais necessitados e marginalizados todo o seu
potencial carismático, suas energias, seu zelo apostólico e a considerável herança
deixada por seu pai.
Na virada do século XIX para o século XX, enviou as primeiras Apóstolas
Missionárias para as Américas(Brasil e Estados Unidos) e a Congregação começou
a se desenvolver também no exterior, naturalmente não sem muitas dificuldades
que sempre acompanham os desígnios de Deus para aqueles que se deixam amar
e guiar pela sua Misericórdia.
O objetivo da vida de Madre Clélia era a Santidade: “Quero ser santa!”. Para
cumprir plena e totalmente a vontade de Deus, desejava isto para todas as suas
filhas de religião.
Fundar o Instituto era responder ao projeto de Deus e conduzi-lo segundo o
Coração de Deus. Isto significou para Madre Clélia tempos de purificação, já que
teve que enfrentar provas difíceis, profundas humilhações, dores físicas, morais
e espirituais. Tudo acolheu e aceitou com amor e por amor àquele Coração a
quem ela doou toda a sua existência. Sua vida consumou-se na plena doação, nos
sacrifícios diários, alimentados pela humildade e capacidade de perdão,
sobretudo para com aqueles que voluntária ou involuntariamente colocaram
grandes obstáculos no seu caminho.
Madre Clélia morreu em Roma em 21 de novembro de 1930. Seu corpo depois
de ser exumado em 1945 e encontrado incorrupto, agora repousa na Capela da
Casa Geral das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, em Roma. 

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